Quanto ao ano novo, ninguém sabia bem o que fazer, uns colegas da noite pro dia resolveram pegar um avião e ir pra Cuba! Então eu e as meninas do flat resolvemos fazer um jantar aqui mesmo, convidar algumas pessoas, cada um trazia um prato e perto da meia noite iríamos pro Vieux Port ver os fogos de artifício.
Eu fiz uma torta de cebola, Silvana fez uma macarronada e uma creme delicioso para sobremesa, Jessica fez uma "taco salad", uma salada com várias camadas (até feijão tinha no meio) e uma cobertura de queijo e nachos/Doritos, Tine fez uma sobremesa alemã deliciosa que eu não consegui aprender o nome hahaha. Tim, holandês, trouxe canelone (que também era sem carne, uhuul), Adrien, belga, trouxe um quiche e uma menina francesa (que eu não consegui entender o nome e depois ficou constrangedor perguntar de novo HAHAH, sorry friend!) trouxe lasanha. No fim das contas foi chegando mais e mais gente e totalizamos, pelas minhas contas, dez diferentes nacionalidades.
Por volta das 23h, fomos pro Vieux Port e estava lotaaado, tava bem frio e a esperta aqui foi de vestido/meia calça e casaco (tava cansada da vida de ursa polar), mas no meio da multidão, dançando e champagne até que eu não senti tanto frio, fora nas mãos.. Ah, as mãos. As minhas luvas ficaram molhadas e minhas mãos ficaram muitooo geladas, as de mais ninguém tavam daquele jeito.. Fabricação brasileira, sabe como é, não fui feita pra esse clima.
Nessa história toda, fui dormir de 6:00, as meninas daqui foram dormir umas 7:30. Foi um dos melhores anos novos de todos os tempos, simplesmente maravilhoso.
Até que... de 9:30 da manhã, um barulho insuportável começou a vir do lado de fora do meu quarto, me deu vontade de matar a causa daquele barulho, achei que fosse o alarme de algum telefone ou algum alarme sem bateria, não sei, mas o barulho não parava nunca, e aí depois de 15 min e perceber que não conseguiria dormir com aquele barulho, decidi me levantar para "dar um jeito" no alarme, daí vejo que todas minhas flatmates saindo dos seus respectivos quartos, o barulho incrivelmente insuportável quando abri a porta e a sirene dos bombeiros se aproximando... E a constatação de que era o alarme de incêndio e Louis dizendo que a gente tinha que correr e descer.
Bem, lá estava eu de pijamas, cheia de hidratante/pomada na cara, com meu protetor bucal para bruchismo na boca e EXAUSTA. Tirei o protetor, peguei meu casaco de neve, cheguei a calçar as havaianas mas percebi que era uma péssima ideia e botei umas botas e me arrastei para descer nove andares de escada e ao passar pelo sexto andar percebi que o problema era lá.
Já fora do prédio, encontrei mais muitos outros zumbis de pijama como eu. Aparentemente alguém deixou o forno ligado e tinha muita fumaça e gás... E assim ficamos por uma hora. Meu deus, querido ou querida colega do sexto andar, você foi odiado/a por muitas e muitos.
Esse foi meu primeiro de janeiro, posteriormente seguido de uma enorme limpeza na cozinha, que parecia uma zona de guerra, e o famoso resto de ontem.
No dia 2, além de hibernar, passeei sozinha pela cidade, esbarrei por acaso em uma feirinha de natal muito simpática, comprei gorrinho, luvas melhores, meias.
Por sinal, a Subway daqui é muito ruim. Normalmente nas subways do mundo afora tem milho e cenoura como opção, a daqui tem as mesmas opções que no Brasil, nada de cream cheese e o pão é MUITO ruim, que pão horroroso, parecia que tinha três anos. Foi 4 dólares o de 15cm. Ah e a banana daqui também é horrorosa. Ninguém mais acha, mas minhas queridas amigas europeias não conhecem uma verdadeira banana. Sim, I'm a foodie. Comida é assunto sério pra mim, sempre comento sobre isso e no Brasil eu gasto minha bolsa do estágio toda com comida, aqui to me controlando pra não gastar o dinheiro todo antes de me pagarem a bolsa. No supermercado eu pegava as coisas e pensava "Naooooo, não preciso disso", mas a vontade era comprar de tudo um pouco.
As framboesas, amoras e morangos compensam as bananas. As laranjas são iguais. O tomate é muito bom também. Ah, aqui a batata doce é laranja! O gosto é um pouco mais suave. Achei deliciosa.
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| A batata doce laranja com shitake. Almocinho que fiz. |
Domingo, eu, Silvana, Tine, Jéssica e Zoum fomos para um museu, Pointe-à-Callière: museu de arqueologia e história. Tinha uma exposição sobre Agatha Christie! Muuuito legal, bons tempos no colégio agarrada naqueles livrinhos velhos da biblioteca. E depois fomos para uma exposição sobre a neve, muito muito interessante mesmo, ver toda relação do Canadá com o frio, o avanço das roupas, os nativos daqui e a chegada europeia e como eles precisaram se adaptar ao frio, a relação econômica, como muita gente ficaria desempregada se simplesmente parasse de nevar. A guia era muito simpática, deu todas as dicas para a gente, de como aproveitar a neve, os esportes.
Let it snow! "Whether we love it or just endure it, snow is a part of our daily lives. Whatever form it takes - from a beautiful blanket of white to a relentless, unkind, capricious force of nature invading our streets - snow has helped to shape our identity".
| Meus companheiros veggies, se manifestando contra o uso de casacos de pele! Maravilhosos |
Depois, fomos fazer umas compras finais com Tine, que vai voltar pros EUA hoje :'( e de noite três amigos chilenos das meninas chegaram aqui e cozinharam um prato típico do Chile "sopaipillas" e a gente ficou de madame, só escolhendo as músicas hahaha. Antes deles chegaram, estávamos dançando ragatanga, que pelo visto é mundialmente conhecida, e gangnam style HAHAH.
Comentem aí ;)


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